Um amigo disse-me um dia que o blog era um sitio que nos servia de apoio para desabafar aquilo que ninguém nos ouve dizer.
Não tenho tinho necessidade de escrever no blog, mas tenho-me sentido sozinho, sem ninguém para me ouvir. Por mais que fale, parece que não há quem compreenda o que sinto.
A palavra "Ausência" do título deste post é uma homenagem...uma homenagem a uma pessoa que me mostrou uma forma diferente de ver as coisas, sem que ela mesmo tenha dado por isso. Digo muitas vezes que nunca sabemos o nosso caminho porque ele é feito a andar. Vamos em frente sem saber para onde vamos, umas vezes a viagem acaba bem...esta que acabei de fazer acabou muito mal.
Sinto agora a ausência de um simples beijo pela manhã, de um simples boa noite...sinto falta daquela pessoa que me prendeu junto à foz do rio Douro, que me prendeu com um sorriso, com a alegria própria de quem não tem medo da vida, que me prendeu pelo carinho que transmitia em cada gesto, em cada beijo, em cada olhar, em cada frase.
Sinto a ausência da distância que era capaz de percorrer por um simples beijo, por um simples pedaço de companhia passado no alto de uma grande paisagem...sinto a falta da força que me dava o simples facto de saber que estava do outro lado uma pessoa com quem podia contar para me divertir, para me esquecer dos problemas diários.
Mas por outro lado, também sinto a ausência da pessoa que eu gostava. Aquela pessoa que agora vejo não pode ser a mesma pessoa que me fez mudar tanto de hábitos e de prazeres. A dureza das palavras contrasta com a palavra certa no momento certo de outrora, os actos descomplexados contrastam com a timidez anterior que a tornavam digna de confiança e de sacrificio. E que a tornavam uma pessoa tão bonita por dentro.
Não sei como alguém é capaz de mudar tanto em tão pouco tempo.
"FIQUEI LOUCO, FIQUEI TONTO
MEUS BEIJOS FORAM SEM CONTO
APERTEI-TE CONTRA MIM,
ENLACEI-TE NOS MEUS BRAÇOS
EMBRIAGUEI-ME DE ABRAÇOS
FIQUEI LOUCO E FOI ASSIM.
DA-ME BEIJOS,
DA-ME TANTOS QUE ENLEADO EM TEUS ENCANTOS
PRESO NOS ABRAÇOS TEUS
NÃO SINTA A PRÓPRIA VIDA,
AVE PERDIDA
NO AZUL AMOR DOS TEUS CÉUS.
(shakira)
Ainda bem que tropecei por ti! Ainda bem que te encontrei! Quando julgamos ter todas as respostas, a vida muda-nos as perguntas!"
Entre aspas está um texto que publiquei neste blog em 23 de Janeiro de 2006. Ainda antes da madrugada junto à foz...já antes desse dia a vida me tinha mudado as perguntas por tua causa. Hoje, este post já com mais de um ano continua bem vivo, porque em cada coisa que dizes penso em novas perguntas que me façam perceber como foi possível chegar a este ponto.
A um ponto em que tudo é tão diferente...a um ponto em que sinto que a pessoa do dia 11 de Fevereiro de 2006 não existe mais... A mudança foi para bem pior. Mas se calhar as pessoas só se revelam quando podem fazer tudo o que querem por elas próprias, não dependendo de ninguém.
Continuo o mesmo, com vontade de desistir mas com medo de o fazer...mas continuo o mesmo, disposto a tudo, menos a magoar-me mais uma vez.
sexta-feira, julho 13, 2007
sexta-feira, junho 22, 2007
Mergulhos No Rio
Certo dia Marcelo Rebelo Sousa decidiu mergulhar no rio Tejo, enquanto candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Passados muitos anos, vemos outros candidatos a Lisboa andarem pelas ruas de olhos vendados ou a limpar grafitis das paredes, devidamente equipados a rigor.
A forma de fazer politica nas autarquias é muitas vezes bastante divertida e leva os candidatos a situações ingratas, em que são apanhados, por força das circunstâncias, em situações a roçar o caricato que surgem aos nossos olhos como grandes encenações de campanha.
Por muito competente que qualquer político possa ser, sente-se hoje que quando concorre a uma autarquia transmite aquele ar de quem se encontra desfasado do ambiente, desfasado das grandes questões da cidade ou do concelho, dado que estas se apresentam de natureza tão quotidiana que aparentam ser desajustadas das ambições de realização do candidato a presidente de câmara, desde que possua um bocado mais de aura de competência.
Se numa cidade como Lisboa o presidente pode actuar de forma mais política, embora tenha que mergulhar no rio ou limpar paredes durante a campanha eleitoral, em cidades e concelhos mais pequenos isso já não é possível. É necessário um grande contacto com as pessoas, um grande contacto com realidades bem mais "pequenas" quando comparadas com grandes projectos regionais ou nacionais.
Terá sido com essa realidade que Marcelo Rebelo de Sousa apanhou um grande banho de água fria em Lisboa, ele que até na liderança do partido parece ter estado permanentemente debaixo de água, inundado de pequenas coisas para as quais não está destinado.
Como a ele, o mesmo já aconteceu a outras pessoas. Obviamente, quando não nos sentimos bem em algum lado, em primeiro lugar procuramos apoio em alguém que nos ajude a enfrentar o desafio. No entanto, quando o apoio nos falta o que se pretende é arranjar rapidamente uma desculpa para desaparecer de novo para junto de grandes projectos.
Quando se mergulha em qualquer rio é conveniente ir preparado para todas as eventualidades, porque todos os rios tem armadilhas, bem escondidas, disfarçadas de falsas correntes. Falsas correntes que numa altura nos puxam em determinada direcção, levando-nos como que por uma mão segura, mas que transmitem uma falsa sensação de segurança.
É compreensivel que certos candidatos a autarquas se cansem de um ambiente que não lhes é favorável de todo. É compreensivel que aparentem estar perdidos no meio do rio. Já é pouco compreensivel que demorem tanto tempo a perceber que já não há qualquer barco para os apanhar.
A forma de fazer politica nas autarquias é muitas vezes bastante divertida e leva os candidatos a situações ingratas, em que são apanhados, por força das circunstâncias, em situações a roçar o caricato que surgem aos nossos olhos como grandes encenações de campanha.
Por muito competente que qualquer político possa ser, sente-se hoje que quando concorre a uma autarquia transmite aquele ar de quem se encontra desfasado do ambiente, desfasado das grandes questões da cidade ou do concelho, dado que estas se apresentam de natureza tão quotidiana que aparentam ser desajustadas das ambições de realização do candidato a presidente de câmara, desde que possua um bocado mais de aura de competência.
Se numa cidade como Lisboa o presidente pode actuar de forma mais política, embora tenha que mergulhar no rio ou limpar paredes durante a campanha eleitoral, em cidades e concelhos mais pequenos isso já não é possível. É necessário um grande contacto com as pessoas, um grande contacto com realidades bem mais "pequenas" quando comparadas com grandes projectos regionais ou nacionais.
Terá sido com essa realidade que Marcelo Rebelo de Sousa apanhou um grande banho de água fria em Lisboa, ele que até na liderança do partido parece ter estado permanentemente debaixo de água, inundado de pequenas coisas para as quais não está destinado.
Como a ele, o mesmo já aconteceu a outras pessoas. Obviamente, quando não nos sentimos bem em algum lado, em primeiro lugar procuramos apoio em alguém que nos ajude a enfrentar o desafio. No entanto, quando o apoio nos falta o que se pretende é arranjar rapidamente uma desculpa para desaparecer de novo para junto de grandes projectos.
Quando se mergulha em qualquer rio é conveniente ir preparado para todas as eventualidades, porque todos os rios tem armadilhas, bem escondidas, disfarçadas de falsas correntes. Falsas correntes que numa altura nos puxam em determinada direcção, levando-nos como que por uma mão segura, mas que transmitem uma falsa sensação de segurança.
É compreensivel que certos candidatos a autarquas se cansem de um ambiente que não lhes é favorável de todo. É compreensivel que aparentem estar perdidos no meio do rio. Já é pouco compreensivel que demorem tanto tempo a perceber que já não há qualquer barco para os apanhar.
quinta-feira, junho 07, 2007
Rumos
O rumo que seguimos em cada momento da vida marca para sempre o que vamos ser no futuro. Certas coisas nunca vão ficar para trás, nunca vão deixar de nos perseguir, de nos fazer sentir mal e revoltados. Mesmo que um dia mais tarde as acabemos por aceitar com naturalidade.
Cada pedaço de orientação tomada deve ser dado com convicção e acreditando naquilo que estamos a fazer, caso contrário mais vale não fazermos nada. Apenas a paixão que pomos em cada coisa que fazemos nos pode fazer felizes. Apenas a paixão que pomos em cada coisa que fazemos nos pode fazer infelizes.
É estranha esta contradição, mas é bem verdadeira. O nosso rumo muda com muita facilidade e as coisas que deixamos para trás não deviam ser tratadas como pedaços estragados do que vivemos. Mas muita gente faz mesmo assim , desdenha o que teve antes, despreza o que de bom conseguiu apenas porque pensa ter encontrado um novo rumo. E estraga com um conjunto de palavras toda a paixão que foi posta nas coisas.
Cada novo rumo que seguimos não pode simplesmente apagar os caminhos que percorremos antes, sob pena de nos tornarmos pessoas horriveis, sem sentimentos, vazias de paixão e de respeito pelos outros.
Um dos rumos mais dificeis a escolher é saber verdadeiramente perceber as pessoas que mais gostamos e nunca as deixarmos fugir, se bem que seja mais fácil dizer do que fazer tal coisa. Um novo rumo, por muito diferente que seja do anterior não deve ser seguido sem deixar bem fechados os caminhos anteriores, sem magoar ninguém e sem dizer que nada do que passou teve alguma coisa de bom que fosse.
"Golpe a golpe, passo a passo.
Caminhante, não há caminho, o caminho é feito ao andar.
Andando se faz o caminho e se você olhar para trás, tudo o que verá são as marcas dos seus passos, que algum dia os seus pés tornarão a percorrer.
Caminhante, não há caminho, o caminho é feito ao andar."
Cada pedaço de orientação tomada deve ser dado com convicção e acreditando naquilo que estamos a fazer, caso contrário mais vale não fazermos nada. Apenas a paixão que pomos em cada coisa que fazemos nos pode fazer felizes. Apenas a paixão que pomos em cada coisa que fazemos nos pode fazer infelizes.
É estranha esta contradição, mas é bem verdadeira. O nosso rumo muda com muita facilidade e as coisas que deixamos para trás não deviam ser tratadas como pedaços estragados do que vivemos. Mas muita gente faz mesmo assim , desdenha o que teve antes, despreza o que de bom conseguiu apenas porque pensa ter encontrado um novo rumo. E estraga com um conjunto de palavras toda a paixão que foi posta nas coisas.
Cada novo rumo que seguimos não pode simplesmente apagar os caminhos que percorremos antes, sob pena de nos tornarmos pessoas horriveis, sem sentimentos, vazias de paixão e de respeito pelos outros.
Um dos rumos mais dificeis a escolher é saber verdadeiramente perceber as pessoas que mais gostamos e nunca as deixarmos fugir, se bem que seja mais fácil dizer do que fazer tal coisa. Um novo rumo, por muito diferente que seja do anterior não deve ser seguido sem deixar bem fechados os caminhos anteriores, sem magoar ninguém e sem dizer que nada do que passou teve alguma coisa de bom que fosse.
"Golpe a golpe, passo a passo.
Caminhante, não há caminho, o caminho é feito ao andar.
Andando se faz o caminho e se você olhar para trás, tudo o que verá são as marcas dos seus passos, que algum dia os seus pés tornarão a percorrer.
Caminhante, não há caminho, o caminho é feito ao andar."
terça-feira, maio 08, 2007
A Verdade Da Mentira
Há pouco tempo, em conversa com alguém a quem contava algumas coisas em jeito de desabafo e me queixava de me terem mentido, a pessoa que conversava comigo respondeu: "se fosse comigo também te tinha mentido com todos os dentes!". Eu engoli a resposta, não liguei muito, e passados alguns dias, a pessoa com quem tinha desabafado mentia-me descaradamente e faltava á minha confiança.
Confesso que ultimamente estou habituado a que isso aconteça. São fases, acredito que sejam apenas fases. Mas são tantos episódios recentes que acredito mesmo quando dizem que neste mundo anda meio mundo a enganar o outro meio.
Todos dependemos uns dos outros em alguma coisa. Em certas alturas dependemos dos outros em termos afectivos, noutras alturas dependemos dos outros por conveniência, por simples oportunidade. Quando acontece este último caso, aprendi que todos usam e abusam da confiança das pessoas, por vezes até mesmo os melhores amigos e as pessoas que mais gostamos.
Aprendi também que os instintos humanos são mesmo incontroláveis e que por vezes a mentira é a única saida para não perdermos o que mais gostamos, ao mesmo tempo que vamos fazendo por fora coisas de que tanto gostamos. Só que a mentira não compensa para sempre...
Quer dizer, achava eu que não compensa para sempre...porque nesta altura o sentimento é o de que mentir recompensa quem o faz. Por outro lado, se há alguma coisa que dá algum conforto é saber que as relações, sejam elas de amizade, profissionais ou afectivas, não duram muito tempo quando baseadas em mentiras ditas ainda antes do primeiro dia.
Também me conforta saber, e agora com algum humor, que a maioria das pessoas que lê este post (para não dizer a totalidade, uma vez que podia estar a mentir), é capaz de se relacionar com os outros com base na sinceridade, honestidade e frontalidade.
Hoje, se tivesse contado tudo aquilo que sei, teria sido um intrometido. Como resisti a ser intrometido, tive que engolir em seco, esquecer a sinceridade que tanto gosto, e calar-me, ficando com a verdade guardada para mim, sem poder ser frontal e honesto. Porque há pessoas que afinal nos conhecem mal e nunca vão ouvir o que lhe dizemos.
Paciência...vão continuar a viver a sua Verdade Da Mentira, enquanto não entenderem que o caminho pode ser outro.
Confesso que ultimamente estou habituado a que isso aconteça. São fases, acredito que sejam apenas fases. Mas são tantos episódios recentes que acredito mesmo quando dizem que neste mundo anda meio mundo a enganar o outro meio.
Todos dependemos uns dos outros em alguma coisa. Em certas alturas dependemos dos outros em termos afectivos, noutras alturas dependemos dos outros por conveniência, por simples oportunidade. Quando acontece este último caso, aprendi que todos usam e abusam da confiança das pessoas, por vezes até mesmo os melhores amigos e as pessoas que mais gostamos.
Aprendi também que os instintos humanos são mesmo incontroláveis e que por vezes a mentira é a única saida para não perdermos o que mais gostamos, ao mesmo tempo que vamos fazendo por fora coisas de que tanto gostamos. Só que a mentira não compensa para sempre...
Quer dizer, achava eu que não compensa para sempre...porque nesta altura o sentimento é o de que mentir recompensa quem o faz. Por outro lado, se há alguma coisa que dá algum conforto é saber que as relações, sejam elas de amizade, profissionais ou afectivas, não duram muito tempo quando baseadas em mentiras ditas ainda antes do primeiro dia.
Também me conforta saber, e agora com algum humor, que a maioria das pessoas que lê este post (para não dizer a totalidade, uma vez que podia estar a mentir), é capaz de se relacionar com os outros com base na sinceridade, honestidade e frontalidade.
Hoje, se tivesse contado tudo aquilo que sei, teria sido um intrometido. Como resisti a ser intrometido, tive que engolir em seco, esquecer a sinceridade que tanto gosto, e calar-me, ficando com a verdade guardada para mim, sem poder ser frontal e honesto. Porque há pessoas que afinal nos conhecem mal e nunca vão ouvir o que lhe dizemos.
Paciência...vão continuar a viver a sua Verdade Da Mentira, enquanto não entenderem que o caminho pode ser outro.
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