sábado, fevereiro 02, 2008

Regresso ao Futuro

1 – A publicidade de valor é aquela que nos faz pensar. Recentemente um cartaz que enumera uma série de coisas que Amarante perdeu ao longo dos últimos anos despertou-me a atenção, e não apenas pela falta de gosto da expressão “Com este breu sempre a perder”.

2 – De facto, Amarante tem perdido uma série de serviços que sempre consideramos importantes. Mas para lá dessa discussão, que continua pertinente, será que o assunto é capaz de levar os amarantinos a votar de maneira diferente nas próximas eleições?

3 – O modelo de desenvolvimento que tem levado ao encerramento de vários serviços em locais mais periféricos, parece que já foi assimilado pelas pessoas como necessário, ou irreversível. O problema da oposição em Amarante não será antes o de encontrar novas formas de discutir a cidade e o concelho, apresentando um modelo de desenvolvimento para Amarante de acordo com as condicionantes actuais?

4 – Será que continuar a discutir temas já discutidos anteriormente não irá conduzir Amarante para um regresso ao futuro, em que depois de 2009 tudo será igual aos dias de hoje?

5 – Para além da divisão do espaço político á direita do PS, que parece vir a repetir-se para as eleições de 2009, a oposição aparenta também um problema de programação política capaz de discutir Amarante de forma construtiva e ao mesmo tempo chamar a atenção dos eleitores para aspectos que eles entendam relevantes e capazes de fazer alterar o seu sentido de voto.

6 – Como exemplo, tome-se a questão do hospital. A grande maioria terá percebido a posição comprometedora assumida pela Câmara Municipal de Amarante em todo o processo. O hospital é mais um serviço que lentamente vai esvaziando Amarante. Mas será que em 2009, com a construção do novo hospital, o feitiço não se poderá virar contra o feiticeiro?

7 – Do dicionário: “breu s.m. : coisa muito escura”. Mas para quem estarão as coisas mesmo escuras?

 

IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 24 Janeiro 2008

domingo, janeiro 20, 2008

Instituições e Pessoas

1 – Excelente mensagem de Ano Novo do Presidente da República. Para quem não percebe o significado de Cooperação Estratégica, o discurso foi elucidativo. Elogios ao país e ao Governo, juntos com chamadas de atenção relacionadas, entre outras coisas, com Justiça, Economia e Saúde, num tom de liderança inconfundível de que Cavaco Silva sempre foi dono.

2 – Os portugueses precisam de entender os sacrificios que tem vindo a fazer, assim como algumas politicas governativas. Num inicio de ano em que uma idosa morreu no hospital 4 horas após dar entrada sem que tivesse sido atendida por um médico, em que uma ambulância recusou socorro a um doente sem que os familiares ligassem antes para o 112, não podia ter sido mais oportuna a observação de Cavaco Silva quanto á necessidade de se perceber qual o rumo da politica de saúde.

3 - De qualquer forma, não parece que o Ministro da Saúde seja remodelável num processo de mudanças no Governo, porque as idéias que tem vindo a ser postas em prática parecem ser mais da sua autoria do que do Governo, o que tornaria a mudança de Ministro numa mudança de política.

4 – Armindo Abreu disse na última Assembleia Municipal que o Presidente da Câmara é, antes de tudo, uma instituição, e deve ser respeitado como tal. Tem toda a razão. E uma vez que está no exercicio do cargo, deve zelar pela dignidade do mesmo.

5 – Mas para nos respeitarem, temos que nos dar ao respeito. Na Assembleia Municipal, ao falar sobre a poluição do Rio Tâmega, o Dr. Armindo Abreu não respeitou os outros, dado que falou de forma completamente inapropriada sobre a capacidade de um determinado Deputado Municipal enquanto empresário.

6 – Foram afirmações fora do contexto da discussão e que nada importam para a competência da instituição Presidente da Câmara enquanto interessado na eliminação do foco de poluição. Pelo contrário, desprestigiam o cargo e a pessoa que o ocupa.

 

"IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 10 Janeiro 2008

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Pobres e Intimidados

1 – Alguém disse na televisão que o problema de acesso ao Incentivo ao Arrendamento Jovem “não está no facto de ser jovem, mas sim no facto de ser pobre” e que “para os pobres existem outros apoios que facilitam o acesso a uma habitação”! Apetece perguntar onde estão esses apoios! Pena não ter reparado no nome de quem é capaz de dizer tal barbaridade!

2 – Alguém se deu ao trabalho e chegou á conclusão de que vir pela A4 do Porto para Amarante saindo em todas as portagens, fica mais barato do que fazer a viagem toda de seguida. Descobriu que viver em Amarante fica mais caro que viver em Paredes ou Valongo. Já não chega tudo o resto, também nas auto estradas os quilómetros são de preço diferente.

3 – Alguém apelidou a JSD de Amarante de irresponsável e mentirosa. Tudo por causa das piscinas de Vila Meã, assunto que até fez com que a JS acordasse do seu sono profundo. É assim que o Dr. Armindo Abreu trata as pessoas que não concordam com ele, disparando frases contudentes julgando que intimida quem ouve.

4 – Alguém se absteve na votação do orçamento camarário para 2008. O engenheiro Carlos Silva não se intimida e entregou uma declaração de voto cheia de sugestões com as quais é dificil não concordar. Não teria sido melhor aproveitar as suas idéias enquanto tinha a confiança politica do Presidente da Câmara? Ou o Dr. Armindo Abreu apenas consegue trabalhar em harmonia com quem se intimida?

5 – Alguém colocou um cartaz na rotunda do Queimado, anunciando que não desapareceu. O Dr. Avelino Ferreira Torres sentiu-se pressionado com o surgimento do nome de Abel Afonso como candidato do PSD e tratou de apressar as coisas?

6 – Uma nota sobre 2007 falando de economia. Talvez 2007 tenha sido o ano em que mais se notou a força de trabalho portuguesa que todas as semanas é absorvida pelo mercado espanhol, principalmente no sector da construção civil. O que será da taxa de desemprego em Portugal se o mercado imobiliário em Espanha mostrar sinais de abrandamento? Mais cedo ou mais tarde é certo que tal aconteça.

7 – Uma nota sobre 2007 falando de politica. A Presidência Portuguesa da União Europeia cumpriu os seus objectivos e termina coroada de sucesso, deixando uma marca na história europeia. José Socrates está de parabéns. Independentemente do trabalho de Durão Barroso ou da Presidência Alemã, foi José Socrates o rosto da União Europeia nos últimos seis meses.

8 – Uma última nota. O Millennium BCP teve nota negativa em 2007. Não chegaria um jornal para explicar a importância do sistema bancário no nosso país. Se os próprios bancos não forem capazes de cuidar da sua imagem e agir com verdadeiro rigor, não há economia que nos valha.

 

"IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 27 Dezembro 2007

domingo, dezembro 30, 2007

As Coisas Vulgares

Mariza canta:

"As coisas vulgares que há na vida não deixam saudade, só as lembranças que doem ou fazem sorrir"...

"Há dias que marcam a alma e a vida da gente, e aquele em que tu me deixaste não posso esquecer"...

Vale a pena ouvir vezes sem conta.

A receita para ser feliz passa por ter muita saúde e muito pouca memória...mas será mesmo assim? As coisas vulgares não nos deixam saudade e não nos consomem parte da felicidade que procuramos. Também não nos consomem memória.

São as coisas que nos marcam, que nos doem, ou que nos fazem sorrir, que nos deixam saudade e nos fazem ser felizes mesmo quando já não estão por perto. A dor, assim como o prazer, também nos faz sentir vivos.

Porque é possível estar fisicamente perto e emocionalmente longe. Podem passar alturas em que isso parece completamente impossível. Mas a verdade é que o tempo cura tudo, por muito tempo que passe.

Será que passou demasiado tempo? Tempo com memória em excesso?

Apenas ainda não passou o tempo todo que é preciso passar. Mas o tempo nunca se perde.

E no fim de um ano inteiro pode-se remexer nos recantos da memória, ir buscar textos antigos e lembrar o que sentimos na altura, os sitios onde passamos e que nos levaram a escrever, as noites perdidas á procura da memória dos outros ou a tentar perder a nossa própria memória.