domingo, julho 06, 2008

De Volta A 2001

1 – Amarante regressa a 2001. Ferreira Torres volta ao seu passado de sempre, sem perceber que caminha de novo para um beco sem saida. Mas felizmente isso agora é um problema para os marcoenses resolverem. Os amarantinos já fizeram a sua parte na luta contra o populismo.

2 – Amarante volta ao confronto entre PS e PSD. Será curioso ver o comportamento do PS face ao PSD nos tempos mais próximos, bem como o comportamento daqui para a frente dos vereadores eleitos em 2005 nas listas de Ferreira Torres. Será curioso ver como vai agora o PSD fazer oposição.

3 - A saida de cena de Ferreira Torres é mais complexa do que parece. Se por um lado deixa o caminho mais aberto para o PSD, por outro vai pôr à prova toda a estratégia do partido para as eleições de 2009. E, talvez mais decisivo, vem também colocar novos desafios ao PS.

4 – O PSD deve pensar em alguns problemas que tem para resolver. O partido tem apresentado ao longo das últimas eleições uma crescente dificuldade em obter apoio no eleitorado mais urbano. Por outro lado, tem também um grande desafio na zona de Vila Meã, onde subir a votação é imprescindível para conseguir vencer as eleições.

5 – Importante será perceber como mobilizar parte do eleitorado que em 2005 votou Ferreira Torres. Muitas dessas pessoas nunca se tinham sentido motivadas para votar em eleições anteriores. Pode ser uma previsão errada, mas será mais difícil levar as pessoas a votar em 2009, existindo o risco de as próximas eleições serem menos participadas que as de 2005. E o eleitorado tradicional do PS é historicamente mais mobilizado.

6 – Do lado socialista, Armindo Abreu vai ter dificuldades em fazer vingar a idéia de que ainda não chegou a hora da mudança. Em 2005 apelou ao voto útil por causa da candidatura de Ferreira Torres. E agora o que vai fazer? Atirar as culpas das insuficiências da sua gestão para as atitudes da oposição ao longo deste mandato, tentando colar o PSD ao Movimento Amar Amarante e procurar que as pessoas se esqueçam de 20 anos de governação do PS.

7 – Armindo Abreu terá que conseguir convencer os eleitores de que se candidata a um mandato para levar até ao fim. Nesse aspecto, assume muita importância a equipa a apresentar pelo PS, facto que o PSD pode aproveitar para pôr em causa a capacidade do PS em renovar a sua equipa.

8 – No meio de tudo, a política nacional tem também uma palavra a dizer em Amarante. Como será que estará José Sócrates em 2009, no que respeita à sua popularidade?

 

"IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 26 Junho 2008

domingo, junho 22, 2008

O Segundo Mundo

1 – Um dia tive um professor a quem ouvi dizer que “Quando o comunismo acabar vai ser uma chatice”! Durante esta semana alguém disse que “Para que os países do terceiro mundo vivam um bocado melhor, os paises mais desenvolvidos terão que viver um bocado pior.”

2 – Ambas as frases surgem a propósito de um número assustador, que revela que ao longo do ano de 2007 mais de 60% do crescimento económico mundial deveu-se a 3 países: China, India e Brasil.

3 - De facto, o desenvolvimento registado em países com sistemas políticos mais afastados da democracia tal qual a vivemos, ou nos países com mais potencial de crescimento, como o Brasil, já está a fazer com que nos países mais desenvolvidos as pessoas comecem a viver pior.

4 – Pagamos os nossos alimentos mais caros, pagamos os combustiveis mais caros, as taxas de juro sobem na tentativa de controlar a inflacção resultante do aumento dos preços dos bens essenciais.

5 – Dizer que o fim do comunismo é uma chatice é uma idéia carregada de ironia. O comunismo não acabou na China, mas para surgir a actual crise bastou os chineses terem alterado o seu modo de vida, deixando o cultivo dos campos e passando a viver cada vez mais nas cidades, tornando-se simples consumidores como cada um de nós.

6 – Os países emergentes, como China, India e Brasil, vão consumir cada vez mais matérias primas e bens essenciais. Os seus habitantes vão concerteza beneficiar de todo o desenvolvimento económico que se registar, mas nós vamos ter que nos ajustar a uma nova realidade, gastando mais dinheiro no que é essencial e menos no que é supérfulo. E imagine-se o que não acontecerá se o surto de desenvolvimento económico se generalizar no continente africano.

7 – A JSD de Amarante tem sido feliz nos slogans que escolhe. Depois do “Atreve-te” vê-se agora com mais frequência o slogan “Há Alternativa”. Uma alternativa política tem que ser construida com bases sólidas, a partir de pequenos actos do dia-a-dia na vida de um partido que o tornem mais forte.

8 –Mesmo que os eleitores não saibam de tudo o que se passa no interior de um partido, acabam por se aperceber da sua credibilidade e capacidade de trabalho á medida que as campanhas eleitorais se vão desenrolando. A chave das eleições de 2009 vai estar na capacidade de união e liderança. È isso que dá corpo a uma alternativa.

 

"IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 12 Junho 2008

terça-feira, junho 10, 2008

"À Espera De Um Sinal De Ti"

silvia Hoje escreve... Silvia Ferreira!
Só os melhores amigos podem fazer parte do nosso próprio espaço. Por isso, a Silvia tem direito a entrar em "Onde Andam Os Alquimistas", em tributo ao espaço que a amizade foi conquistando!

 

"Magoa-me demasiado quando te vejo a reagir de uma forma tão natural, simplesmente como se os poucos meses que tivemos juntos não tivessem existido.

Sei perfeitamente que te escondes por detrás de uma máscara, onde os teus sentimentos ficam enclausurados e disfarçados do resto do mundo. No entanto, custa na mesma.

Custa porque sei que gostei mais de ti do que tu de mim. Falo no passado, sim. Faço-o porque no dia em que decidimos terminar soube que seria o ponto final definitivo.

"Se não resultou porque continuaram a tentar?" Esta talvez tenha sido a frase que ecoou na minha cabeça durante mais tempo. Sei que tentei, longe de mim deixar de tentar e de arriscar! Todavia, sei, aliás, sinto, que acabou mesmo. Posso ainda gostar muito de ti, demasiado até, mas sei que chegou a hora definitiva de virar a página.

Porque sei que se sentisses o mesmo que eu, com a mesma intensidade, terias ultrapassado todas as tuas barreiras. Afirmo-o porque por ti ultrapassei o receio de fracassar, o que sentia era mais forte do que tudo.

Agora choro não porque te quero, pois não é o caso, mas porque perdi aquilo que tive nas minhas mãos, aquilo pelo qual lutei, e choro essencialmente pela percepção de que o que sentia não bastou. Se te dizia vezes sem conta o quanto gostava de ti era porque simplesmente me sentia feliz com aquilo que tinha.

Não tens noção de como fui feliz nos teus braços...de como por vezes nem acredito que te tive mesmo. É por tudo isto que carrego cada memória comigo, carrego-as dolorosamente, não por terem sido más mas por terem sido tão marcantes que a perda é mais penosa.

Não me adianta dizer-te tudo isto...não passam de sentimentos meus...para quê continuar a tocar na ferida se a cura não é esta? Certamente que estas palavras só te iriam retrair mais ainda e não é disso que eu preciso.

Acho que apenas precisava da parte que restou de tudo...a amizade. Precisava somente de um abraço teu...um abraço do amigo. Não entendo porque teimo em sentir a necessidade de te ter do meu lado. Precisava de um ombro de amigo e sem entender porquê, é o teu que eu quero...talvez porque tenho receio de perder também esse pedaço que restou de ti.

Não sei quando conseguirei terminar com estes lapsos de recordações e pensamentos. Não sei quando é que as minhas lágrimas secarão. Não sei quando me voltarei a sentir feliz, verdadeiramente feliz.

Só sei que precisava de sentir os teus braços envoltos em mim e que depois partisses da minha vida.

Posso parecer contraditória mas sei que o afastamento físico e o tempo são uma das curas para esta minha doença de ti. No fundo, talvez só precisasse que me compreendesses...que me dissesses isso a olhar nos meus olhos..."

O Nosso Spread

1 – Muito se tem falado na falta de liquidez do sistema bancário. Em termos simples, liquidez não é mais do que o dinheiro que o banco tem disponível para emprestar aos clientes. Não esquecer que o negócio do crédito é o principal motor do sistema bancário.

2 – Como podem os bancos obter dinheiro para emprestar aos clientes? Em termos simples, de duas maneiras. Por um lado, oferecendo taxas mais altas nos depósitos a prazo para assim captar mais dinheiro no mercado. Por outro lado, numa operação financeira mais complicada, podem pedir dinheiro emprestado a outros bancos que tenham liquidez suficiente.

3 - Assim, um banco pode pegar, por exemplo, no conjunto da sua carteira de crédito á habitação e oferecer esse conjunto de créditos como garantia de um empréstimo, obtendo assim dinheiro para emprestar aos seus clientes. Mas que spread irá o banco pagar nesse empréstimo?

4 – Não há muito tempo, esses empréstimos entre bancos faziam-se com spreads reduzidos, inferiores a 0.2%. Neste momento, existem bancos do sistema português e europeu dispostos a pagar spreads bem superiores a 1% para conseguirem obter crédito no mercado intrabancário.

5 – Assim, se para obter dinheiro o nosso banco paga spreads superiores a 1%, onde irá parar o spread que todos iremos pagar no nosso crédito? Terá que ser necessariamente mais alto. Já não basta o preço do petróleo ou o preço dos bens alimentares, o preço do crédito também vai subir.

6 – A essência do problema vem da crise subprime dos EUA. Mas não se pense que apenas nos EUA existe a mistura explosiva que combina crédito de alto risco com taxas de juro baixas. Também no mercado português e europeu essa prática foi corrente durante os últimos anos, fruto da grande concorrência no mercado bancário.

7 – Imagine-se que de um momento para o outro as nossas casas se desvalorizam de forma brutal no mercado imobiliário. Os bancos ficam sem garantia suficiente para o crédito que nos concederam. No limite, muitos deles podem falir. E a falência do sistema bancário seria um abanão enorme no frágil equilibrio da economia de mercado.

8 – Todos procuramos crédito ao mínimo preço possível. Mas a tendência vai inverter-se, mesmo que lentamente. O preço do crédito será mais de acordo com o risco do crédito. O nosso spread vai subir. E mesmo parecendo contraditório, os fabulosos lucros dos bancos vão baixar.

 

"IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 29 Maio 2008