domingo, abril 26, 2009

Vagas De Fundo

1Armindo Abreu não tem sido feliz nos dias que se seguiram ao anúncio da sua recandidatura. Lembre-se o encerramento da Linha do Tâmega ou a participação na Praça da Alegria, para perceber que o actual Presidente da Câmara não anda na sua melhor forma.

2O encerramento da Linha do Tâmega assume contornos caricatos. O que diria o PS se fosse oposição e tivesse acontecido a mesma situação? Grandes celebrações num fim-de-semana e um encerramento logo no início da semana seguinte? Desencontros telefónicos entre o Presidente da Câmara e uma Secretária de Estado?

3Fica no ar a promessa de que a linha não fechou definitivamente. Era o mínimo a esperar, num processo mediado entre um Governo e uma Câmara Municipal afectos ao mesmo partido. Em face da actual situação da Linha do Tâmega, espera-se para ver se os investimentos anunciados e a promessa de reabertura não vão ficar apenas pelo papel.

4Mas ainda pior, foi a resposta de Armindo Abreu, na Praça da Alegria, quando questionado sobre a política de juventude em Amarante. A resposta saiu surpreendentemente vazia para quem anunciou há poucos dias uma nova candidatura. Uma coisa é as opiniões que teremos sobre a inexistência de uma política para os jovens no nosso Concelho. Outra coisa, muito pior, é ouvir um Presidente da Câmara e futuro candidato falar sobre o assunto, e sentir que o tema não faz parte das suas prioridades.

5A política de juventude tem que ser transversal a todas as politicas concelhias. Prioritariamente, em Amarante podemos agregar a política de juventude com as políticas de apoio ao emprego, ao empreendedorismo, ao turismo, à cultura ou aos recursos naturais. E temos que abandonar a velha ideia de que as políticas de juventude são apenas para alguns.

6Não! As políticas de juventude são para os jovens de Amarante e de fora de Amarante. São para os jovens de Amarante que nunca saíram. São para os jovens de Amarante que saem e pretendem voltar. São para os jovens de Amarante que saem e não querem voltar. São para os jovens que não são de Amarante mas que aqui podem encontrar alguma coisa que os atraia. As políticas de juventude são para todos. Para os mais novos e para os mais velhos.

7 E as vagas de fundo, cheias de vontade pessoal e partidária, como a que levou Armindo Abreu a reconsiderar a decisão de não se voltar a candidatar, devem possuir mais do que simples vontades pessoais ou interesses partidários. Devem antes de tudo, ter vontade permanente de mudança. E ambição de dar às pessoas algo mais do que aquilo que todos podem dar.

 

"IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 16 Abril 2009

sexta-feira, abril 17, 2009

Amadores E Profissionais

1 O desporto amador e o desporto escolar são muito mais importantes para a sociedade do que o desporto profissional em si próprio. É verdade que o desporto profissional nos faz sentir orgulho na nossa cidade, no nosso pais ou nos nossos atletas. Mas no entanto, está destinado para as elites.

2 No futuro vai ser cada vez mais difícil ascender a profissional do desporto sem antes passar pelo nível escolar, em primeira instância, ou então pelo nível amador. Poucos alcançam o estrelato, mas o trabalho social que fica subjacente à participação de milhares de pessoas na prática desportiva, vale muito mais para a sociedade do que qualquer medalha de ouro.

3 É importante que todos os organismos públicos, com especial relevo para os órgãos políticos, assumam uma decisiva aposta no desporto escolar, que deve constar como essencial em qualquer política educativa que se preze, seja ela decidida pelo Governo ou por qualquer Câmara Municipal.

4 O desporto amador também deve ser apoiado, embora de forma diferente em face da sua natureza. Nele, a sociedade civil pode e deve ter um papel bem mais decisivo que os organismos públicos, já que depende essencialmente da vontade de cada uma das pessoas que o pratica.

5 Se olharmos para exemplos como o de Amarante, por exemplo ao nível das competições organizadas pela FADA, entendemos a importância que o papel de uma Câmara Municipal pode ter, mesmo que de forma indirecta, na promoção desportiva. Certamente, quando no nosso concelho se decidiu que em cada freguesia devia existir um campo de futebol, algumas vozes se levantaram contra essa opção. Hoje, muitos anos mais tarde, percebemos como essa decisão foi importante.

6Não será fácil calcular quantas pessoas se movem no universo das associações que fazem questão que a sua freguesia tenha uma equipa de futebol. Porque atrás do futebol, muitas das associações acabam a desenvolver outras actividades de muita importância para a vida cultural, social e recreativa do nosso concelho.

7 Embora amadoras, as muitas associações desportivas, culturais, recreativas e sociais existentes em Amarante, actuam como verdadeiros profissionais naquilo que fazem. O valor que acrescentam com as suas iniciativas é incalculável e merece um olhar atento de quem de direito.

 

"IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 26 Março 2009

sexta-feira, março 20, 2009

Causas Fracturantes

1Para José Sócrates, as medidas anunciadas pelo Governo no combate à crise económica já são suficientes. Segundo o Primeiro-Ministro não é preciso tomar mais decisões relacionadas com a crise porque o que está feito já serve, é apenas necessário pôr as medidas em prática.

2 À primeira vista, com tanto alarido ao longo dos últimos tempos, todos pensaríamos que as medidas anunciadas já estavam a ser aplicadas. Mas afinal, o próprio José Sócrates reconhece que não. E perante propostas de Manuela Ferreira Leite que libertariam de forma efectiva a tesouraria das empresas, protegendo o emprego e a sobrevivência de pequenas e médias empresas, José Sócrates muda de assunto.

3Portanto está tudo bem. Para o PS já está tudo tão bem que até há tempo para o partido se virar para causas fracturantes como o casamento homossexual e a eutanásia, temas que são os únicos que se prevê virem animar o próximo congresso socialista.

4Perante um plano de combate à crise que aposta essencialmente no investimento público em grandes obras e em linhas de financiamento de pequenos montantes para as pequenas e médias empresas, que não libertam a sua tesouraria antes a aprisionam em mais prestações, parece claro que o plano anti-crise do Governo não vai ter efeitos imediatos.

5Se é um facto que José Sócrates tem razão quando diz que é melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada, parece claro que as medidas anunciadas terão efeitos diferidos no tempo, o que levará Portugal a recuperar da crise apenas depois dessa recuperação acontecer no resto da Europa. Assim, manteremos as fraquezas estruturais da nossa economia e o Governo do PS ficará marcado por mais uma oportunidade perdida na área económica.

6Perante isto, o PS foge de discutir economia. Prefere discutir o casamento homossexual, a eutanásia, ou outros temas mais ou menos fracturantes que não representam nada de significativo para o país. Não pondo em causa a relativa importância destes assuntos, a sua aparição parece mais uma questão eleitoralista relacionada com uma estratégia de captação de votos ao Bloco de Esquerda, do que relacionada com uma profunda convicção do PS.

7É um facto que a sociedade portuguesa evoluiu bastante e parece capaz de discutir assuntos para os quais estava completamente fechada há anos atrás. Mas politicamente, para um partido com responsabilidades de Governo, não parece uma agenda particularmente importante discutir causas fracturantes quando o país continua a revelar tantos problemas na economia. E a economia é o que preocupa mais as pessoas.

 

"IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 26 Fevereiro 2009

Realidade Ou Ficção?

1A cada dia sucedem-se noticias de despedimentos, de queda de lucros nas empresas e de perspectivas desanimadoras para 2009. Os resultados das empresas do sector financeiro também não são animadores, pelo menos à primeira vista.

2Os resultados dos bancos que operam em Portugal exemplificam a queda acentuada nos lucros, na sequência da crise financeira por demais conhecida. Mas se olharmos com mais detalhe os números que tem sido apresentados, verifica-se que a principal razão para a queda dos lucros está nas operações financeiras.

3 - Isto é, os bancos viram os lucros diminuir em 2008 em resultado de operações no mercado de acções, de obrigações ou derivados e não por causa de problemas com os empréstimos dos seus clientes. A parte operacional dos bancos, aquela que todos conhecemos, não sofreu queda de lucros. Antes pelo contrário.

4Os bancos com pouca exposição ao mercado da banca de investimento conseguiram subir os lucros, mesmo apesar da crise. Os outros, aqueles que para além da banca tradicional possuem forte exposição ao mercado financeiro propriamente dito, pagaram cara a factura. No fundo, sofrem com o próprio veneno.

5 No entanto, por contraditório que possa parecer, a cura também virá do próprio veneno. Tome-se como exemplo o seguinte: a nível mundial, o Banco Santander apresentou aproximadamente 9.000 milhões de euros de lucro no ano de 2008. Como prémio aos seus accionistas pelo lucro alcançado, vai distribuir um dividendo de 0.65 euros por accção.

6Hoje, uma acção do Banco Santander vale aproximadamente 6 euros. Quem comprar 1000 acções gasta 6.000 euros. Com a distribuição de dividendos, irá receber 650 euros, independentemente da possível valorização das acções em bolsa. Trata-se de uma remuneração anual superior a 10% sobre o capital investido.

7É por causa desta atractividade do investimento que os mercados financeiros captam dinheiro. É claro que os mercados podem cair ainda mais, mas nesta fase há pessoas a aproveitar o pânico instalado para entrar em bolsa quando as cotações estão baixas, na esperança de grandes ganhos entre final de 2009 e inicio de 2010.

8 - Os mesmos bancos que agoram acumulam prejuizos poderão fechar 2009 com resultados acima do esperado. E ao contrário de 2008, os ganhos no mercado financeiro poderão compensar a diminuição de lucros na parte operacional. A crise veio pelo lado do mercado financeiro mas a solução também virá pelo mesmo sitio.

 

"IM_Pressões de Direita" in Jornal de Amarante de 12 Fevereiro 2009